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Universidades contribuem para expandir a geração solar fotovoltaica na matriz energética brasileira

por Simone Salles

Nesse sentido, a energia solar fotovoltaica tem o grande potencial de contribuir para uma mudança de paradigma

Em junho, mês tradicionalmente consagrado a questões ambientais, a pauta jornalística costuma incentivar a reflexão sobre a preservação do meio ambiente e a proteção do planeta. Mas o dilema entre tornar o mundo melhor e manter as necessidades da sociedade moderna atendidas persiste. E uma das atividades mais causadoras de impactos é a produção de energia. Uma saída coerente para interromper o ciclo vicioso de uso de combustíveis fósseis e consequente aumento dos gases de efeito estufa já existe e apenas precisa ser priorizada – é o uso de uma alternativa limpa, como a solar.

Nesse sentido, a energia solar fotovoltaica tem o grande potencial de contribuir para uma mudança de paradigma. Já há algum tempo e mais acentuadamente agora, os laboratórios de renomadas universidades do mundo todo se consagram ao desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para o setor das fontes renováveis. Inclusive, muitas empresas desse setor foram incubadas em estabelecimentos de ensino superior, onde seus fundadores tiveram os primeiros contatos com o assunto. Graças à relevância do papel da energia solar entre as matrizes energéticas no futuro, os pesquisadores buscam descobrir estruturas que sejam cada vez mais economicamente viáveis e eficientes. Afinal, o panorama internacional e local se caracteriza pela necessidade premente de frear o aquecimento global e de reduzir as emissões de gases efeito estufa, por um lado; e por outro, diametralmente oposto, pela urgência na geração de energia solar e no aumento da eficiência dos módulos fotovoltaicos.

No Brasil, diversas iniciativas nesse sentido têm sido implementadas, em todas as regiões do país, como no Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal da Paraíba – primeiro a ser criado no país; no Laboratório de Sistemas Fotovoltaicos da Universidade de São Paulo, que iniciou suas atividades em 1995; no Centro Integrado de Pesquisa em Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina, que colocou em funcionamento o primeiro gerador solar fotovoltaico integrado à arquitetura do Brasil; no Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas da Universidade Federal do Pará, atuando desde 1994. Há vários outros centros acadêmicos de pesquisa espalhados pelo território brasileiro, inclusive de universidades particulares. Seus integrantes perceberam que apenas estudar e publicar artigos já não era suficiente. Passaram a estabelecer parcerias de cooperação nacional e internacional com outras universidades e, em especial, com empresas, visando encontrar soluções adaptadas às necessidades nacionais, por meio de projetos de formação dos estudantes de graduação, mestrado e doutorado.

No DF, a UnB realizou, em 2015, a 1ª Escola Internacional de Energia Solar. Hoje mantém curso interativo básico a distância sobre a energia solar e suas estratégias de conversão. Todo ano, diversos trabalhos são apresentados sobre o tema, mesmo com a longa duração da pandemia e com muitos laboratórios fechados. O aluno de Engenharia Pedro Henrique Salles Arouck de Souza defendeu seu trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre o desempenho energético dos módulos fotovoltaicos no primeiro semestre. Segundo seu orientador, professor Fernando Cardoso Melo, compartilhar conhecimento sobre painéis solares e trilhar o caminho da sustentabilidade é importante para que os alunos possam se aprofundar em seus estudos e dar continuidade ao atual ciclo de desenvolvimento dessa fonte verde.

O TCC do futuro engenheiro objetiva aumentar a eficiência de geração de energia de módulos fotovoltaicos, na expectativa de que novas técnicas de produção possam surgir e se popularizar. Pedro Henrique explica que os impactos e respostas à mudança do clima estão intimamente vinculados ao desenvolvimento sustentável, que equilibra o bem estar social, a prosperidade econômica e a proteção ambiental. O consumo global de energia cresce e continuará crescendo. Mas espera-se que a forma como a energia é produzida mude com o tempo, levando ao declínio dos combustíveis fósseis, compensado por uma parcela cada vez maior de uso de energia renovável e um papel crescente para a eletricidade, principalmente aquela proveniente do sol.

A Universidade de Brasília já faz a sua parte ao promover a instalação de uma nova planta solar fotovoltaica somada às já existentes em seu campus, uma obra associada à sustentabilidade e que surgiu de um TCC de outro estudante de graduação. Além da economia, a UnB terá a maior planta de geração de energia solar entre todas as universidades federais brasileiras.

As pesquisas em universidades trazem avanços que podem diminuir o prazo de substituição das fontes tradicionais poluentes, tendo em vista a ameaça de aquecimento global. Permitem, ainda, transformar a relação do consumidor com a energia e aumentar seu poder de escolha, evoluindo de uma posição passiva para ativa no setor elétrico. O Brasil tem níveis de irradiação solar superiores aos de países onde projetos de aproveitamento
de energia solar são explorados em larga escala. O país se prepara jurídica, tributária e tecnologicamente para optar pela transformação da energia radiante em eletricidade, que só apresenta vantagens: é 100% natural, ecológica, gratuita, e não causa danos ao meio ambiente. Tem tudo para ser referência em geração fotovoltaica, ao formar profissionais cada vez mais capacitados para atuar nesse mercado e promover inovações tecnológicas que atendam as demandas existentes de forma menos onerosa e mais competitiva.

fonte: Jornal de Brasília

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