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O impulsionamento da agricultura sustentável por meio das microrredes

A obtenção de eletricidade, mesmo quando o sol não aparece, pode ser feita a partir das microrredes. Elas são sistemas híbridos de energia e possibilitam a produção e o armazenamento de energia

Cerca de 10% dos empregos gerados aqui no Brasil são provenientes do segmento da agricultura, o qual é muito importante para o nosso país. Esses empregos representam um aumento de 4% no Produto Bruto Interno (PIB) do Brasil. Em adição a isso, o Brasil é o país que mais produz diversos tipos de commodities, como o suco de laranja, o açúcar e o café.

A previsão para 2050 é que a população do mundo chegue a 10 bilhões de pessoas,o que faz com que o segmento agrícola do nosso país possa se tornar uma superpotência, desde que faça isso de forma sustentável.

Isso pode ser feito com a ajuda das microrredes, que fornecem energia renovável com um bom custo-benefício. Dessa forma, é possível produzir e armazenar energia e melhorar os processos do setor agrícola, bem como melhorar as colheitas no que tange a sua produtividade.

A proteção dos biomas mais frágeis

O cultivo da soja e a criação de gado geram um grande desmatamento por parte dos fazendeiros do nosso país. Por conta disso, diversas campanhas internacionais têm tido como foco o destaque aos danos ambientais ocasionados pelo setor.

O desmatamento está em patamares alarmantes, de modo que os países devem permanecer exercendo influência para motivar a cessação do desmatamento.

Infelizmente, o lado negativo disso é a face que o país mostra para o mundo. Caso o desmatamento continue nesse nível, é possível que o globo veja a agricultura brasileira com maus olhos.

O que deve ser analisado é que as commodities alimentares e a sua correspondente produção não estão diretamente ligadas ao problema do desmatamento. Os agricultores, inclusive os que produzem a soja e a carne, já estão com um viés econômico de sustentabilidade.

As terras que foram desmatadas, em grande parte, acabam não sendo utilizadas da forma correta, ficam degradadas ou até mesmo abandonadas. Por isso, os produtores não devem desmatar ainda mais terras, mas, sim, melhorar a produtividade das que já possuem e cultivam.

A tecnologia já vem sendo reconhecida como a melhor forma de trazer sustentabilidade para a agricultura. Em artigo do Financial Times, em 2020, o presidente da Embrapa, Celso Moretti, afirma que “não precisamos cortar uma única árvore. Não precisamos usar a Amazônia para exportar mais ou alimentar o mundo. Nós temos a tecnologia”.

A tecnologia na agricultura

A agritech é a tecnologia aplicada à agricultura que está revolucionando o setor. Esse tipo de tecnologia ajuda a diminuir o uso de químicos, a proteger o solo e a aumentar o rendimento das colheitas.

Como exemplo de aplicação, podemos citar a utilização dos drones e das câmeras para ajudar a achar e retirar as ervas daninhas do solo. Isso é feito sem a utilização de produtos químicos em larga escala.

Outra utilização interessante é a de satélites, que coletam dados sobre as safras para saber onde podem ser aplicados os fertilizantes e qual a quantidade adequada desse tipo de produto deve ser utilizada. Por fim, as estações climáticas ajudam os produtores a planejarem o plantio, a colheita e a proteção das culturas, melhorando a produtividade.

Para se ter uma ideia, o Brasil já está à frente dos Estados Unidos no que se refere à agricultura digital e a sua utilização de forma sustentável e lucrativa na produção e cultivo de alimentos. Isso é o que diz uma pesquisa da McKinsey realizada no ano de 2020.

A energia solar fotovoltaica no segmento

No quesito sustentabilidade, a energia fotovoltaica é uma tecnologia que tem se destacado positivamente. A energia pode ser fornecida por meio dos parques solares, em regiões mais remotas e fora da rede. Isso faz com que diversos aspectos da agricultura, como a irrigação, os equipamentos e a planta de processamento sejam beneficiados com preços previsíveis e energia limpa.

O uso das terras para cultivo de alimentos e produção de energia solar já está sendo percebido pelos agricultores. Essa percepção ajuda a fazer um melhor aproveitamento das terras e a melhorar as condições de cultivo por meio da energia solar.

Nas regiões com clima mais quente, por exemplo, os painéis de energia solar podem ajudar a criar sombras para as culturas nos momentos mais quentes do dia, evitando a evaporação da água e diminuindo a necessidade de irrigação.

Além disso, a inteligência artificial pode ser aplicada nos sistemas agrovoltaicos dinâmicos. Essa tecnologia permite que os painéis sejam inclinados de acordo com as condições do sol, qualidade do solo, clima, água, cultura, solo e modelo de crescimento.

O vidro solar semitransparente, por exemplo, já está sendo estudado por pesquisadores da Universidade de Cambridge. Ele permite que haja uma absorção da luz esverdeada, a qual gera eletricidade, e também faz com que a luz laranja-vermelha seja usada nas plantas para fazer a fotossíntese.

Existem experimentos que comprovam que o cultivo de determinadas safras, com a ajuda de painéis solares coloridos, aumenta os lucros do negócio.

A energia solar e as microrredes

A energia solar fotovoltaica já é, comprovadamente, uma tecnologia que fornece energia limpa e acessível financeiramente em todo o mundo. Os recursos ligados a esse tipo de energia são conectados à rede, o que faz com que o excedente de energia produzida retorne para a rede.

Porém, há uma desvantagem em se utilizar a energia solar de maneira isolada: ela não pode gerar energia durante todas as horas do dia.

Para isso, existem as microrredes solares, que são sistemas híbridos que permitem que a energia seja produzida e armazenada. Isso faz com que seja possível utilizar a eletricidade até mesmo em dias sem sol.

As microrredes são autossuficientes e podem ser utilizadas para abastecer a energia de fazendas, empresas e até mesmo comunidades. A operação pode ser feita em paralelo ou de forma autônoma em relação à rede de energia preexistente.

As baterias são a forma mais simplificada de fazer o armazenamento da energia e estão com custos reduzidos, sendo que a projeção é de queda de 50% do preço entre 2017 e 2030. Porém, o hidrogênio já é visto como uma opção viável para isso, devido ao preço do equipamento utilizado para o armazenamento. O armazenamento da bateria faz com que haja uma reserva de energia, o que compensa as deficiências de geração.

Fora da rede, as empresas podem descarbonizar as operações por meio das microrredes, não sendo preciso utilizar a geração de energia a partir de combustíveis fósseis. O transporte de diesel também é eliminado já que a energia é gerada no próprio local.

Para exemplificar o deslocamento de diesel, uma usina solar de 1 MW, que produz cerca de 2.000 MWh no período de um ano, pode deslocar em torno de 500.000 litros de diesel.

Dessa forma, pode-se afirmar que a energia solar é uma das formas mais baratas de produzir energia. Os equipamentos possuem custos acessíveis, e os ativos são muito longevos, chegando a ter uma durabilidade de até três décadas.

Outrossim, a manutenção da energia solar possui um custo baixo e mais confiabilidade quando comparada a grupos geradores que utilizam o diesel. Isso faz com que o fornecimento seja mais confiável e tenha mais resiliência no mercado.

A rede também é um ponto que tem mais segurança quando a microrrede é conectada à rede principal. Essa ação mantém o equilíbrio perfeito entre consumo e produção de energia, fazendo com que o valor econômico seja agregado à sociedade e melhorando a produtividade e a qualidade de vida dos envolvidos.

Além disso, as microrredes podem ser conectadas à rede como forma de trazer benefícios aos seus operadores por meio do fornecimento de serviços de rede auxiliares ao operador da rede principal.

Esses serviços auxiliares são pagos para manter a rede estável por intermédio de esquemas de balanceamento. Assim, as microrredes podem ser uma fonte de eletricidade e de renda para os operadores.

A redução dos custos pode impactar positivamente os resultados financeiros do agronegócio, especialmente devido à necessidade de se contar com energia limpa oriunda de fontes confiáveis.

A energia obtida de forma mais barata pode ter o seu acesso desbloqueado quando o produtor realiza Contratos de Aquisição de Energia (PPA), os quais são contratos de longo prazo renováveis. A duração desse tipo de contrato, em regra, pode variar entre 10 e 15 anos.

Essa duração prolongada é mais previsível em longo prazo, principalmente em comparação com o preço do diesel, que é imprevisível e tem uma alta volatilidade.

Os PPAs também trazem outro benefício para o agronegócio: a possibilidade de obtenção de energia com baixo carbono com o uso dos parques solares fotovoltaicos. Isso é feito sem que seja necessário investir capital em usinas de energia próprias. Nesse caso, a empresa firma o compromisso de pagar por uma quantidade de eletricidade, anualmente, durante um longo período e com taxas acordadas.

Ainda que tenham um sistema híbrido de energia e bateria, os compradores podem se beneficiar de ter uma microrrede sem ter que fazer um investimento financeiro. Isso acontece com auxílio de desenvolvedores de microrrede, os quais ofertam o armazenamento de bateria. Assim, é possível armazenar a energia ao pagar pelas baterias em economias compartilhadas.

A operação feita com as microrredes é muito vantajosa, principalmente em algumas regiões do país em que não há tanta confiabilidade nas redes. Dessa forma, os compradores de microrrede saem ganhando ao ter uma redução de interrupções de energia e uma maior segurança no fornecimento.

Por fim, os sistemas híbridos de microrrede de energia solar permitem que a agricultura brasileira seja beneficiada com uma produção mais sustentável de alimentos. A produção de energia com microredes tem valores mais acessíveis, baixo carbono e custos previsíveis.

A autonomia na rede é maior, e a resiliência do fornecimento é melhorada. Além disso, a energia limpa é fornecida de modo que os produtores brasileiros possam aproveitar a agrotecnologia.

fonte: Portal Solar

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