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Com armazenamento de energia, solar se torna a fonte mais competitiva na Califórnia

Estudo aponta que, com quatro horas de armazenamento, confiabilidade da fonte chega a quase 100%

Com armazenamento de energia, a energia solar se torna a fonte mais confiável na Califórnia, superando a eólica e o gás natural na capacidade de fornecer energia nos horários de maior demanda. Um projeto de geração solar que armazene energia por quatro horas terá uma capacidade de despachar energia para o grid de 99,8%, mostra um estudo encomendado pela Comissão de Serviços Públicos da Califórnia.

O estudo comparou a “despachabilidade” de diversas fontes de energia – ou seja, a capacidade efetiva das fontes de produzir energia quando o sistema mais necessita – e os cenários possíveis quando se acrescenta o uso de sistemas de armazenamento. Os resultados mostram caminhos para que o estado americano atinja sua meta de gerar 100% de sua eletricidade livre de carbono até 2035.

Uma planta eólica teria uma despachabilidade de 19% em 2022, o que significa que de cada 100 megawatts (MW) gerados por uma usina eólica, seria capaz de suprir o grid com 19 MW de energia efetivamente. Pela mesma metodologia, o resultado seria considerado desastroso para a fonte solar, que teria uma despachabilidade de apenas 4%. Mas basta que se acrescente quatro horas de armazenamento para que o cenário mude completamente, com a fonte solar alcançando uma capacidade de fornecer energia nos horários de maior demanda de 99,8%, o que a torna plenamente confiável.

Comparada à energia eólica, a solar se mostra mais apta a carregar as baterias. “O armazenamento tem maiores sinergias com a fonte solar, que é menos intermitente do que a eólica. Então o caminho é acoplar cada vez mais soluções solares com o armazenamento, e isto torna a viabilidade de usinas a gás natural cada vez mais difícil, ou seja, haverá cada vez mais geração renovável de energia”, diz Markus Vlasits, coordenador do Grupo de Trabalho de Armazenamento da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR) e CEO da New Charge, empresa que desenvolve soluções de geração e armazenamento de energia elétrica. 

A descoberta abre caminho para os negócios de armazenamento que, nos próximos anos, devem se tornar inerentes aos projetos de geração de energia solar. O estudo mostra um cenário desfavorável para as usinas a gás natural que operam em horário de pico, geralmente por menos de quatro horas por dia. A Califórnia tem 52 usinas que operam com essa função, que seriam suplantadas pelos sistemas híbridos.

O Brasil não tem o mesmo cenário energético da Califórnia, mas a combinação de solar e armazenamento é muito relevante para o país, segundo Vlasits. O país ainda não tem regulação específica para sistemas de armazenamento conectados à rede, mas o tema já aparece na pauta de modernização do setor elétrico – a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem um programa de P&D estratégico voltado para armazenamento. Em nível comercial, já existem projetos que utilizam soluções de armazenamento “atrás do medidor”, em geral consumidores de média tensão que utilizam baterias para gestão energética.

fonte: Portal Solar

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